PIRUÇAS

Dezembro 02 2009
Canoas do Tejo
Frederico de Brito
 
Canoa de vela erguida
  Que vens do Cais da Ribeira,
Gaivota, que andas perdida,
Sem encontrar companheira.

 

O vento sopra nas fragas,
O Sol parece um morango,
E o Tejo baila com as vagas
A ensaiar um fandango.


Canoa,
Conheces bem
Quando há norte pela proa,
Quantas voltas tem Lisboa,
E as muralhas que ela tem.


Canoa,
Por onde vais?
Se algum barco te abalroa,
Nunca mais voltas ao cais,
Nunca, nunca, nunca mais.

 

Canoa de vela panda,
Que vens da boca da barra,
E trazes na aragem branda
Gemidos de uma guitarra.

 

Teu arrais prendeu a vela,
E se adormeceu, deixá-lo
Agora muita cautela,
Não vá o mar acordá-lo

publicado por poleao às 21:28

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