PIRUÇAS

Maio 01 2007

Tenho andado, desde há dias, numa de revisitar e reler (pela rama, devo dizer) alguns dos livros mais interessantes que guardo na minha pequena biblioteca. No âmbito desta actividade, estimulada por um qualquer sinal que, de todo em todo, desconheço, dei por mim a visitar algumas das livrarias existentes no meu bairro, vendo as capas, lendo os títulos, com uma curiosidade que me levou aos meus tempos de rapaz. Mas a verdade é que esta vontade de aprender, sempre presente em mim, tem feito muito bem à fotografia da vida, que vou compondo.


Um dos livros por onde passei, cá em casa, intitula-se "Relatório das Sevícias", editado em 1976 e "apresentado pela comissão de averiguação de violências sobre presos sujeitos às autoridades militares". O livro é muito interessante e esclarecedor, não só sobre o tempo que passou, mas também relativamente aos dias de hoje. Das "Conclusões Finais" (56, no total), transcrevo, apenas, as duas primeiras:


1. Foram praticados dois crimes de cárcere privado, acompanhados de tortura e violenta agressão física, imputáveis a militares e civis;
2. Houve centenas de prisões arbitrárias, sendo de destacar as efectuadas na sequência do "28 de Setembro" e do "11 de Março", em 28 de Maio de 1975 (contra elementos do MRPP), e as desencadeadas, com cariz diferente, a partir do Regimento de Polícia Militar.


Outro livro por onde repassei os olhos é da autoria de Roger Garaudy e chama-se "O Projecto Esperança". Edição de 1976, da Dom Quixote. É, novamente, uma leitura obrigatória. Apenas uma nota, retirada das primeiras páginas do livro:
...
"Deve ficar claro para todos que, segundo a advertência do atomista John Gofman, «a indústria nuclear é uma indústria muito perigosa...Aqueles que hoje tomam decisões neste campo comprometem o futuro da humanidade inteira e isso para milénios».


Na passagem por uma das livrarias de referência cá do sítio ficou-me esta realidade: dos 5 livros mais vendidos no último mês, 3 são sobre a vida e a obra de Salazar. Juntei a este facto as seguintes declarações de um popular, há dias proferidas, em Santa Comba Dão, durante uma cerimónia evocativa da morte do político "Estão com mêdo do Homem? O Homem está ali enterrado há mais de 30 anos e ainda estão com mêdo dele? e puz-me a cismar sobre qual é a Esperança deste Projecto.

publicado por poleao às 16:51

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