PIRUÇAS

Maio 30 2004
Arquitetura 03.jpg Desde a minha meninice que a imagem de um coreto semelhante a este ficou definitivamente marcada na minha memória. E tudo porque, logo nesse tempo, comecei a gostar de ouvir música, gosto que se foi acentuando até aos dias de hoje. Naquele tempo, logo no primeiro dia das Festas de Verão da minha terra, chegava, manhã cedo, a primeira das quatro ou cinco bandas de música que abrilhantavam os festejos. Percorria, então, a vila, sempre a tocar lindas marchas. À frente, o maestro, garboso e feliz e, à frente dele, o Chelpa, da comissão de festas, ia lançando foguetes, espaçadamente. Eram os cumprimentos à população que acorria às janelas para ver a banda passar. Finalmente, o cortejo parava em frente da Câmara Municipal para a saudação especial ao respectivo Presidente, que descia à rua e cumprimentava efusivamente o Chefe da Banda. À noite, no coreto da vila, iniciava-se então o concerto e o povo da terra e das aldeias vizinhas aglomerava-se em redor do coreto, num silêncio religioso, para ouvir as lindas músicas que a banda tocava. E, no final, vinha sempre a longa ovação a premiar os músicos. O chefe, muito compenetrado, voltava-se, então para o público e agradecia, com reverente vénia. Foi nesse tempo que ouvi, pela primeira vez, a 1812. Ainda hoje tenho, nos meus ouvidos, o som estridente dos sinos e, na alma, a emoção que tudo aquilo me provocava. Nunca mais deixei de ouvir, pela vida fora, a 1812 e, sempre que a oiço, vejo a banda no coreto da minha terra.
publicado por poleao às 17:53

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