PIRUÇAS

Setembro 09 2005

Num blog perto de minha casa, Salvador Massano Cardoso, escreve, hoje, este excelente artigo, que transcrevo, com a devida vénia:


"Os britânicos estão proibidos de sorrir quando forem tirar fotos para os passaportes. Original medida! A explicação tem a ver com o facto de os novos equipamentos de segurança exigirem cidadãos sérios. Parece que ao mínimo sinal de humanidade, as máquinas deixam de reconhecer as pessoas com consequências graves, sobretudo, alertas injustificados.
O riso tem sido alvo de inúmeros ensaios e reflexões. Aristóteles e Platão eram contra, ao passo que para os orientais a risada abre o caminho da paz interior.
Há risos e risos. Através do riso é possível auscultar o pensamento do autor. A essência do riso foi sublimemente analisada na obra com o mesmo título por Charles Baudelaire.
É reconhecido o efeito antistressante e até “curador” das gargalhadas, a ponto de se terem constituído clubes de riso aos milhares por esse mundo fora. Arranjam pretextos e descobrem técnicas para que os associados tenham a sua dose diária de riso. Claro que também ocorrem situações caricatas, verdadeiras epidemias de riso, manifestações de doença psicogénica de massas, como aquela que ocorreu em Janeiro de 1962, numa aldeia perto do lago Vitória. Três alunas da escola local tiveram um acesso de riso inexplicável e incontrolável. Pior do que a epidemia de Ébola, os ataques de gargalhadas alastrou-se aos outros alunos, depois aos habitantes da aldeia e praticamente a toda a população da região. Só desapareceu ao fim de dois anos. Até hoje não foram encontradas explicações satisfatórias.
Em Portugal, se fizermos fé nos dados recentemente publicados, o riso não abunda. Não sei se é por andarmos tristes ou se foram os fotógrafos que enviesaram a selecção de fotografias ao privilegiarem os mais sisudos e pondo de parte os mais risonhos.


Segundo Dostoievski, o riso é o melhor indicador da alma, mas não deixava de considerar que, na maioria dos casos, quando uma pessoa se ri torna-se nojento olharmos para ela. Claro que este célebre autor não teve acesso às revistas mundanas, senão ainda irritar-se-ia mais. Também duvido que partilhasse dos clubes de gargalhadas ou do dia internacional do riso (18 de Janeiro). Às tantas, o máximo que lhe podia acontecer era apresentar um ligeiro sorriso sarcástico.
Seja como for e apesar de só as crianças saberem rir com perfeição, convém cultivar sorrisos simpáticos, o que é difícil neste momento, em que tantas peripécias e anedotas fazem com que muitos não deixem de publicitar sorrisos parvos na esperança de cativar incautos que já não se lembram de emitir uma boa e saudável gargalhada. De facto, os tempos que correm não estão para risadas."
publicado por poleao às 16:39

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