PIRUÇAS

Setembro 22 2005

Muitos políticos nacionais (para não dizer a maioria), quando chegam ao "poder", manifestam, por via de regra, uma acentuada falta de tacto no relacionamento com as Forças Armadas e no tratamento das questões que lhes dizem respeito, limitando-se a ouvir, quando necessário, os chefes militares dos "ramos", escolhidos , afinal, por eles. Muito embora existam várias associações de militares, nos três ramos e fora deles, as decisões políticas assentam sempre nos pareceres daqueles chefes e estes, frequentemente, não ouvem, ou não levam em linha de conta, as opiniões dos dirigentes daquelas associações. Toda esta engrenagem funciona e se fundamenta nestes dois princípios, muito caros aos políticos: a disciplina militar e o respeito, efectivamente sagrado para os militares, pela hierarquia. Cientes de que estes pilares nunca ruirão, mesmo nos casos em que sejam profundamente afectados, por decisões meramente políticas, os direitos e interesses dos militares,  os detentores do poder político sentem-se com a mão livre para governar segundo a sua linha, particularmente nos tempos em que aqueles chefes militares, por isto, ou por aquilo, são demasiadamente submissos aos ministros.


Parece-me haver aqui, da parte dos políticos, um enormíssimo equivoco, qual seja o de confundir disciplina e hierarquia com obediência cega, irracional e perversa. E os militares, deve dizer-se, para além defensores intransigentes da disciplina e da hierarquia, são pessoas como as outras, com personalidade própria, inteligentes como os demais, cultos e sábios como muitos outros, e sensíveis, particularmente, aos atropelos e injustiças que os atijam. E se não tiverem, na linha da hierarquia, quem os defenda, só lhes resta, obviamente, sempre no respeito pelas leis, manifestar, por outra vias, a sua insatisfação. Tenho acompanhado, com muita atenção, os últimos acontecimentos nesta área e considero que tem sido este, de uma forma geral, o comportamento dos militares.

publicado por poleao às 22:52

Caro Compadre, felicito-o por este belo artigo e pelos dois outros também de hoje.Neles relata, de forma sucinta mas muito clara, o sentir dos militares que, de fora, acompanham estes tristes acontecimentos. Como irá "isto" acabar? Um abraço do seu Compadre Algarvio.JGJoão Algarvio
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Anónimo a 23 de Setembro de 2005 às 00:14