PIRUÇAS

Novembro 05 2005
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"Em 43 anos de gnr ", 33 dos quais no activo, nunca assisti a um ataque tão feroz, tão forte e tão  demolidor , do poder político, como o que está sendo feito à Guarda por este Governo -à Guarda no seu todo, incluindo, naturalmente, os familiares dos militares. Escudando-se numa maioria absoluta perfeitamente legítima, os actuais governantes, deslumbrados e cegos pela força do poder, não seleccionam, nem escolhem, meios para atingir os seus fins, atropelando princípios e regras morais e jurídicas de toda a ordem. Dizem, frequentemente, que tais fins estavam no programa político maioritariamente sufragado pelo POVO, estando assim a cumprir as promessas feitas, esquecendo (ou talvez não) que a grande maioria desse "povo" não leu tal programa, como é hábito, entre nós. E, da maioria absoluta, o Governo passou, sem escutar ninguém, para uma "ditadura absoluta", fazendo e desfazendo, a seu bel-prazer , como se os governantes passados, mesmo já na era democrática , tivessem sido, todos, burros e incompetentes.
O Governo esquece-se que a "sustentabilidade" (um termo muito usado, ultimamente, para justificar tantas e tantas alterações no nosso ordenamento jurídico-político ) dos regimes democráticos bem abertos, como os da generalidade dos países europeus, assenta, em grande medida, em forças de segurança "motivadas", organizadas, determinadas e disciplinadas. Sem esta condicionante, a lepra social do nosso tempo -o TERRORISMO- espalha-se e corre  como "cão em vinha vindimada" e, das liberdades da democracia às ditaduras, passa a ser um pequeno passo. E não colhe dizer-se: "aumentam-se os efectivos das forças de segurança, reforçam-se os seus equipamentos, distribuem-se mais viaturas de toda a ordem, melhoram-se as sua instalações, etc ". Porque se as forças de segurança não forem apoiadas, de forma explícita e clara, pelo poder político e respeitadas pela generalidade da população, não vão ser, certamente,  tais aumentos, reforços e melhoramentos que darão aos seus elementos suficiente motivação para o cumprimento da sua missão -uma das mais difíceis e arriscadas nas democracias modernas.
Por isso se esperava que este Governo, no poder pela vontade maioritária dos portugueses, corrigisse o que entendia estar mal no corpo social mas que, ao mesmo tempo, reforçasse e estimulasse o trabalho das forças de segurança, tendo em conta a germinação crescente dos braços demolidores do TERRORISMO. Fazendo o contrário, como está a fazer, o Governo entra num labirinto, sem saída à vista.
 
 
Este texto faz parte de uma "nota" que enviei, no dia 11 do último mês de Agosto, a um bom amigo, também militar da Guarda, a propósito dos inesperados (ou talvez não) ataques do Governo socialista à GNR. Hoje, três meses depois, face à inexplicável teimosia do PM em não diminuir, racionalmente, os destroços que a sua atitude vai, inexoravelmente, provocar, mantenho, dolorosamente, o que então escrevi, perdida que está, definitivamente, a esperança num rasgo, que justamente se esperava, de verdadeiro sentido da realidade das coisas. Agora vamos ter que ficar mesmo... à espera de Godot .
publicado por poleao às 18:41

TÃO LONGE DO MUNDO E TÃO PERTO DE TUDO
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